
A Fundação Ângelo Bozzetto/Projeto Zaidan teve uma participação de destaque no 26º Estadual JKSRS de Karatê Shotokan, realizado no Ginásio do Colégio Sinodal Alfredo Simon, em Pelotas. Representando Faxinal do Soturno e a Quarta Colônia, a delegação retornou da competição com 54 medalhas no total: 11 de ouro, 17 de prata e 26 de bronze.
Mais do que um resultado esportivo expressivo, a participação marcou um novo momento de organização e crescimento do projeto. Pela primeira vez, a Fundação conseguiu levar uma delegação completa em ônibus para uma competição estadual, reunindo 41 pessoas entre atletas, professores, familiares e apoiadores. Nos primeiros anos, o grupo encontrava dificuldades para levar até dez atletas a competições fora do município. Agora, a delegação superou inclusive o número de participantes da edição de 2023, quando Faxinal do Soturno sediou o Estadual.
A evolução do projeto está ligada à ampliação da oferta de aulas e ao trabalho desenvolvido pelos professores Leonardo Mariano da Rocha e Gilson Scalabrin. Desde o período pós-pandemia, com a entrada do professor Gilson na equipe, o karatê da Fundação passou a ampliar sua presença em campeonatos, consolidando uma trajetória de crescimento técnico, organizacional e comunitário.
No Estadual, a Fundação esteve presente em praticamente todas as faixas etárias, com atletas das categorias infantis, juvenis, adultas e masters. A equipe competiu em modalidades como kata, kumite, sanbon ippon kumite, koten kata e disputas por equipes, dentro das regras da Japan Karatê Shoto Federation. A presença de um grande número de equipes completas foi um dos marcos da participação, incluindo categorias sub-13, sub-15 e adultas, nas modalidades de kata e kumite. O principal destaque coletivo foi o título no kumite masculino adulto.
Entre os destaques individuais, Otavio Garcia teve uma das principais atuações da delegação, conquistando ouro no kumite e prata no kata em categorias sub-13 bastante disputadas. Matheus Scalabrin também foi um dos grandes nomes da equipe, campeão em uma das maiores categorias de kata do campeonato e ainda integrante da equipe de kata família.
Entre os atletas mais jovens, a participação de Angelo Mariano da Rocha, Mateus Cherobini Chelotti e Nauany da Silva chamou atenção. Mateus disputou sua primeira competição, enquanto Angelo participou de seu segundo campeonato, demonstrando a motivação que a vivência competitiva desperta nas crianças. Nauany, ainda em idade de sub-7, conquistou o ouro no sanbon kumite em uma categoria agrupada com atletas sub-9, superando adversárias maiores.
Também se destacaram Amanda Dal Ongaro e Antônia Casarotto. Amanda conquistou o ouro no kata, reforçando sua capacidade de crescer em momentos de competição. Antônia, por sua vez, teve uma de suas melhores participações, demonstrando concentração, segurança e evolução técnica.
No adulto e master, o professor Leonardo Mariano da Rocha conquistou seu terceiro título no kata master e também integrou a equipe campeã no kumite masculino adulto, vencendo a luta decisiva que confirmou o título. Guilherme Hoppe teve atuação de destaque técnico no kumite, reforçando a força da nova geração da equipe. Vitor Hoppe também teve boa participação, com ouro no kumite sênior e presença importante na equipe adulta. Cleber de Oliveira completou a campanha com ouro no kata e participação na equipe campeã de kumite adulto.
A competição também marcou retornos importantes. Betina de Souza, após período afastada das competições, teve boa performance, especialmente no kumite. Halex Ferreira, outro atleta que vinha de pausa competitiva, conquistou medalhas em kata, kumite individual e equipes, mostrando potencial para resultados ainda maiores nos próximos anos.
Um dos momentos mais simbólicos foi a participação da Família Scalabrin no kata família. Gilson Scalabrin competiu ao lado da esposa, Adriana, e do filho, Matheus. Para Adriana, a participação teve significado especial, marcando seu retorno às competições após cerca de 20 anos. A prova reforçou uma característica importante da escola: o envolvimento familiar e o ambiente de convivência construído em torno do karatê.
A participação das famílias foi, aliás, um dos pontos fortes da delegação. A organização buscou, sempre que possível, permitir que atletas viajassem acompanhados pelos pais, fortalecendo o vínculo entre esporte, família e comunidade. Para a equipe, as famílias abraçaram o projeto do Estadual, contribuindo para que a competição fosse também uma experiência coletiva de união e apoio.
Embora participe de competições, inclusive do circuito esportivo, a Fundação Ângelo Bozzetto tem um viés social, cultural e formacional. O objetivo principal não é apenas formar atletas, mas ampliar o acesso ao karatê e transmitir valores por meio da arte marcial tradicional japonesa. Disciplina, respeito, hierarquia, concentração, autocontrole e convivência fazem parte da metodologia trabalhada no dojo.
Esse caráter formativo aproxima o karatê das demais atividades desenvolvidas pela Fundação, como circo, balé, percussão e dança, em municípios da Quarta Colônia. A proposta é oferecer atividades saudáveis, promover inclusão e contribuir para a formação humana de crianças, jovens e adultos.
A participação no Estadual foi viabilizada pela Fundação Ângelo Bozzetto, braço social da Nova Palma Energia, que arcou integralmente com os custos de transporte da delegação. O apoio foi fundamental para possibilitar a presença de um grupo tão numeroso em Pelotas, especialmente em um momento em que o projeto ainda aguarda a tramitação de novas formas de auxílio público.
Após o resultado expressivo, a equipe já projeta novos desafios. O Estadual tem caráter classificatório para o Campeonato Brasileiro, previsto para outubro, no Rio de Janeiro, e alguns atletas medalhistas buscam viabilizar a participação na competição nacional, representando o Rio Grande do Sul.
Para a Fundação, as 54 medalhas representam mais do que conquistas no tatame. Elas simbolizam o crescimento de um projeto que une arte marcial, cultura, família, inclusão e formação, levando o nome de Faxinal do Soturno e da Quarta Colônia para além do município.

Fonte: Fundação Ângelo Bozzetto